sábado, 30 de outubro de 2010

CRONICA - O relógio


Crônica



O relógio



Professor Sidinei Cardoso Neves
(autor)
 


O relógio impôs respeito ao mundo. Não que eu esteja desmerecendo as outras formas, que por sinal bem inteligentes, de marcar o tempo. Mas falando sério mesmo, essa maquininha que conta o tempo é espetacular.
Desde a antiguidade, o homem já se preocupava em contar o tempo. A forma mais antiga para fazê-lo era através do relógio de sol, depois o relógio de água, os relógios de areia entre outros. O tempo passou, novas modelos foram surgindo até se conhecer os que todos conhecem hoje. Os primeiros usados eram os de bolsos. Estes eram tidos como ouro, somente as pessoas mais ricas podiam ter um. Mais tarde, surgem os relógios de pulso que, segundo a História, foram idealizados por Santos Dumont.
Ah, deixe-me voltar à introdução. Tive que comentar um pouco sobre a história do relógio, mas o mais importante está na percepção do valor que esse companheiro assume em nossas vidas. O relógio está em todos os momentos de nossas vidas. É ele que nos orienta, impõe limite em nossos afazeres. Diz, por exemplo, até que momento eu posso fazer algo, ficar em algum lugar ou me preparar para algum evento. Marca a hora em que devo dormir, trabalhar e até descansar. É o relógio que nos “diz” se estamos atrasados ou não aos nossos compromissos. É sempre testemunha dos mais bizarros entraves entre patrões e empregados, quando não se observam a carga horária prevista no contrato de trabalho. E é por não “respeitar” a marcação do relógio que muitos têm que aguentar as vistas grossas do patrão.
Alguns, por exemplo, já viram o relógio “dizer” que não adianta mais correr, que não há mais tempo. Quando vacilamos, ele se prontifica: “Vai atrasar, não pode nem provar da sobremesa” ou “se passar na casa da amiga, perderá o voo”.
Os exemplos citados acima são os mais comuns. Já presenciei pessoas chorarem por não assistirem a partida de uma pessoa querida, ou por não poder participar de um concurso grandioso, por não acompanhar o ritmo do relógio.
Muitos se queixam da agilidade do relógio em algumas situações, costumam a dizer que o tempo tá voando. Mas, se pensarmos um pouco melhor, concluiremos que nós usuários do relógio somos ignorantes e falhos, não é mesmo? Se o casal marcou um jantar, um dos dois não chegou a tempo, seria o relógio o culpado pela discussão que do fato se emana? Devemos concordar que não. É sempre assim, pagamos o preço em tudo quando não observamos a eficácia dos relógios em nossas vidas.
Diante disso, fique atento caro interlocutor, mesmo que esteja lendo, pois a leitura é um exercício excelente para a higiene mental, consulte o relógio, pois pode não haver tempo para terminar de ler todo o texto agora. Se o que tem algo para fazer de mais importante no momento, não vacile, pare e dê uma olhadinha no relógio.
A situação de tempo em muitas circunstâncias transfigura-se de algo simples para um fator complexo. Uma vez firmado um determinado horário para fazer algo, passamos a ter uma espécie de contrato. É sempre assim. Não ganhamos nosso salário por horas trabalhadas? Não reivindicamos reajustes por jornadas extras de tempo de trabalho? Não pagamos nossos impostos, água, luz, telefone, por horas (tempo) de uso desses serviços?
A verdade é que o relógio está em toda parte. Além de ser uma “algema” presa ao braço, que está sempre a nos acusar, advertir, também está na diretoria das escolas, orientando sobre os períodos das aulas; na cozinha das casas e dos restaurantes; nas telas dos computadores das empresas, das instituições. Em todos esses casos, identificamos a eficácia dos relógios, nos orientando o tempo todo.
Por outro lado, notamos que para uns, o relógio tem grande valor; para outros, é mais um componente de estética. Assim, pensando no ser feminino principalmente, notamos que para cada roupa usada, lá se vai o lançamento de um relógio novo que combine com a roupa escolhida. Na verdade, para cada ocasião há um modelo de relógio apropriado para usar ao dia ou a noite, conforme a preferência.
Escrevi esta crônica em vários períodos de tempo. A cada trecho desenvolvido, uma olhadinha no relógio, isso para não perder outros compromissos. Pois é, com a vida que levo, posso afirmar: o relógio no pulso é um grande companheiro.
Todo mundo é falho. Nenhum de nós é perfeito. E, tudo que abordei sobre o relógio, a sua eficiência em nosso cotidiano, tem fundamento, a menos que algum não funcione normalmente. Por isso, aconselho: Siga o ritmo do relógio e viva tranquilo. Se o seu parar e não tiver mais conserto, vá logo comprar um outro novo. Ah, invista num aparelho bem confiável.
Autoria
Professor: Sidinei Cardoso Neves

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